Biografia |
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Luiz Paulo Bello Simas nasceu no Rio de Janeiro em 1948,
numa família tipicamente carioca de classe média da Tijuca,
filho de um bancário e de uma dona-de-casa (futura professora de
matemática). Quando ainda
pequeno, sua família se mudou primeiro para o Leme, e depois
para uma vila em Copacabana, onde aos 4 anos de idade ele começou
a ter aulas de piano na casa de um dos vizinhos. Em casa, praticava no velho
Pleyel de sua bisavó. Sua família depois foi morar por alguns
anos em Lins de Vasconcelos, onde Luiz Paulo entrou para o primário
na escola local.
A próxima mudança foi então para Ipanema, onde seu
avô dr. Bello, dentista pioneiro dos implantes no Brasil, comprou
um grande apartamento com a ajuda de um prêmio que havia ganho
na loteria.
Nessa época, com o rádio ainda dominando os meios de comunicação,
o que chegava aos ouvidos do Luiz Paulo era um variado coquetel que incluia
Miltinho, Ângela Maria, Leni Eversong, Morengueira da Silva, e a “Conceição”
de Caubi Peixoto, junto com os clássicos de uma coleção
de discos que seu pai tinha lhe dado, e que incluia peças favoritas
como a Habanera de Carmen, Sansão e Dalila, a ária de Madame
Butterfly, isso quando não estava praticando Bach e Chopin no piano,
ou estudando na Escola Nacional de Música (formou-se em Teoria Musical
aos 11 anos). E vez por outra ia com os avós a uma ópera no
Municipal.
Mas os interesses dele não eram só a música. Com a
mudança para Ipanema, ele e seu irmão José Roberto
ingressaram no colégio
Santo Inácio em Botafogo. Lá, ele passava a manhã
inteira estudando, jogando pelada (era péssimo) e pingue-pongue (era
campeão) e se divertindo com seus muitos amigos, e na volta, depois
de comer um eskibon na saida, tomava o bonde que passava na São Clemente,
seguia pelo Jardim Botânico e pelo Jóquei (onde havia a trocava
de “sessão” e os passageiros tinham que pagar de novo),
dava a volta no final do Leblon e finalmente depois de mais de uma hora
de viagem chegava ao bar vinte em Ipanema.
Foi no teatro do colégio Santo Inácio onde ele assistiu ao
primeiro show de bossa-nova, dado por um colega que tinha um grupo musical.
A música já estava então se tornando mais e mais importante
na vida do Luiz Paulo. Com a chegada dos anos 60 ele se apaixonou pela bossa-nova,
com suas harmonias elaboradas, seu ritmo sutil e cativante, e aquela forma
de cantar meio falada, meio sussurrada, sem os vibratos e grandiloquências
comuns dos estilos vigentes até então. Ele começou
a aprender violão (sua primeira professora foi Beth Carvalho, nessa
época ainda pouco conhecida, era bem bossa-novista). E tocando violão
compôs suas primeiras bossas.
Em 1966 ele ganhou uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, e foi morar
com uma família americana, fazendo o equivalente do 3º científico
em Lakewood, uma cidade perto de Cleveland, Ohio. Depois de voltar ao Brasil,
ele e outros jovens da zona sul formaram o grupo instrumental e vocal Agora-4,
e assinaram contrato com a Philips. O grupo gravou faixas em LPs de compilação,
e participou de um dos primeiros Festivais da Canção no Maracanãzinho
(com mais um elemento e o nome de Agora-5...) defendendo uma música
de Sérgio Mendes “Manhã de Ninguém”, que
posteriormente teve o nome em inglês de “Look Around”.
A apresentação foi caótica: a Globo não permitiu
instrumentos no palco, o grupo teve que se apresentar só cantando,
com um arranjo orquestral que havia sido feito para complementar o grupo
vocal/instrumental. Além disso o Brasil passava por uma fase muito
anti-americana, e o nome de Sérgio Mendes foi vaiado assim que o
autor da música foi anunciado. O grupo cantou debaixo de uma vaia
enorme de 25,000 pessoas. Foi um batismo de fogo.
Mas isso não fez que o Luiz Paulo tivesse quaisquer dúvidas
a respeito de sua carreira musical. Ele chegou a estudar arquitetura por
um ano e meio na UFRJ, mas com o fim do Agora-4, ele foi convidado para
entrar para um grupo de bailes chamado Módulo 1000, que tinha assinado
um ótimo contrato com uma boite em São Paulo. Ele foi com
o grupo para lá, e ficaram em São Paulo por um ano. Com o
tempo, o Módulo
1000, que a princípio tocava música brasileira tradicional,
bossa-nova e músicas americanas bem convencionais, começou
a se influenciar pelo rock internacional de Jimmi Hendrix, Steppenwolf,
Deep Purple, e pelo tropicalismo de Caetano, Gil, Gal e os Mutantes. Agora
em formação de quarteto com Daniel (guitarra e vocal), Eduardo
(baixo), Candinho (bateria) e Luiz Paulo (teclados e vocal), o grupo passou
a compor suas próprias músicas num gênero que viria
a ser chamado anos depois de “rock psicodélico”. O grupo
voltou para o Rio, onde participou do Festival da Canção no
Maracanãzinho, fez muitos shows em teatros e outros locais como o
Museu de Arte Moderna e o Instituto Villa-Lobos, e continuou ativo até
os primeiros anos da década de 70, quando se desfez.
Em meados desta nova década, Luiz Paulo formou com o guitarrista
Lulu Santos, o baixista Fernando Gama e o baterista Candinho o grupo Vimana.
O tipo de música era um “rock progressivo sinfônico”
brasileiro bem complexo e eclético, que incluia vários gêneros,
desde números altamente orquestrados quanto “funk”, e
até mesmo um chorinho. Com a saida de Candinho e a entrada de Lobão
na bateria e Ritchie nos vocais e flauta, o Vimana
teve a sua formação final e fez shows memoráveis no
Teatro Tereza Raquel, no Museu de Arte Moderna, em cinemas e em outras salas
do Rio, com um público grande e fiel. Entretanto, esse tipo de música
ainda não era aceito pela indústria fonográfica como
algo que tivesse futuro. O grupo chegou a gravar um LP pela Sigla (Globo),
mas a gravadora resolveu lançar apenas um compacto simples (“Zebra”),
que foi pessimamente divulgado. Ainda nos anos 70 o grupo se desfez. Luiz
Paulo, Fernando, Ritchie e Lobão foram chamados pelo tecladista Patrick
Moraz (recém-saído do grupo “Yes”) para formar
um grupo com ele e ir morar na Europa. Chegaram a ensaiar numa casa da Barra
por muitos meses com Patrick, mas o projeto acabou não indo adiante.
Durante esses anos da década de 70 Luiz Paulo trabalhou muito gravando
para vários artistas. Ele foi o primeiro músico no Rio (e
provavelmente no Brasil) a possuir um sintetizador eletrônico, e por
isso era muito requisitado pelos estúdios. Na famosa música
“A Mosca na Sopa”, do Raul Seixas, por exemplo, Luiz Paulo gravou...
o zumbido da mosca! Às vezes passava dias gravando sem parar: de
manhã na RCA, de tarde na Odeon, de noite na Sigla. Foi nessa época
também que criou e gravou para a tv Globo o famoso sinal do “plim-plim”,
usado até hoje. E foi também com seu sintetizador que Luiz
Paulo tocou com Roberto Carlos numa de suas temporadas no Canecão.
Com o fim do Vimana, enquanto os outros integrantes foram seguir carreiras
solos (Lulu, Ritchie e Lobão tornando-se mega-stars) Luiz Paulo resolveu
“dar um tempo” na sua carreira musical, comprou um sítio
numa cidadezinha perto de Visconde de Mauá chamada Mirantão,
e foi morar lá. Era um ambiente muito rústico - na cidade
não havia eletricidade, nem gás, nem telefone! Todos cozinhavam
com fogão a lenha, de modo que seu dia-a-dia começava às
4 da manhã regando a grande horta (para não deixar a geada
queimar as plantas) e depois rachar lenha para o fogão. Viveu desse
jeito por alguns anos, já com sua primeira mulher Bárbara,
sempre voltando regularmente ao Rio para trabalhar como músico de
estúdio. Foi também nessa época que ele começou
a se interessar por alimentação natural. Por isso, em 1980
ele e sua mulher foram para Boston estudar macrobiótica e medicina
e filosofia oriental com Michio Kushi no Kushi Institute. Ficaram lá
dois anos, e foi lá que nasceu sua primeira filha, Lydia. Voltaram
depois para o Brasil, dividindo o tempo entre a casa em Mirantão
e um apartamento alugado no Rio, quando nasceu sua segunda filha, Julia.
No fim da década de 80 Luiz Paulo ainda fazia gravações
em estúdio, gravava trilhas de televisão (trabalhou muito
com Fernando Gabeira no seu programa para a Bandeirantes), acompanhava artistas
famosos em turnês e atuou no musical “Dança dos Signos”
de Oswaldo Montenegro. Participou também do grupo Zod, do guitarrista
Sérgio Dias. Além disso, uma de suas músicas em parceria
com Ritchie e Bernardo de Vilhena (“A Sombra da Partida”) foi
um dos temas da novela “Vale-Tudo”, com Glória Pires.
Em 1989 Luiz Paulo e sua mulher se separaram, e ela e as filhas ficaram
nos Estados Unidos, onde já estavam há dois anos. Ele tomou
então uma decisão súbita de ir morar lá, para
ficar perto das meninas.
Isso foi uma mudança muito drástica. Significou deixar para
trás uma carreira musical de 30 anos, e recomeçar a vida praticamente
do zero, mas ele não via outra opção. Acabou se fixando
em Nova Iorque, onde Começou “se virando” como todo brasileiro
recém-chegado, fazendo trabalhos pequenos de toda sorte. Aos poucos
foi conseguindo trabalhos de pianista e cantor em restaurantes brasileiros,
que pagavam muito pouco, mas davam para ajudar nas despesas. Começou
também a trabalhar como intérprete nos tribunais de justiça.
Por volta de 1992, frustrado com o trabalho de músico em restaurantes,
e já sem paciência para tocar “Garota de Ipanema”
e outras bossas-novas manjadas todos os dias, Luiz Paulo estava ansioso
para fazer novamente algo criativo. Com poucos recursos econômicos,
resolveu fazer uma gravação de seus chorinhos em piano
solo, uma produção barata, porque não teria que
pagar músicos
e poderia gravar tudo em poucas horas. Lançou então meu primeiro
trabalho musical nos Estados Unidos, “New Chorinhos from Brazil”,
primeiramente em cassette e mais tarde em CD. Foi um trabalho muito bem
recebido pela crítica, com o crítico Titus Levis do Keyboard
Magazine dizendo que “Luiz Simas toca de uma forma vigorosa ,
clara, vibrante, e ao mesmo tempo sutil” “...sua música....é
original, esperta e espirituosa”, e Egídio Leitão,
crítico
no website Luna Kafe, dizendo que “Luiz [Paulo] Simas fez um trabalho
excepcional! Sua (gravação)...é sem dúvida
o melhor lançamento
choro do Brasil dos últimos anos... com uma execução
esplêndida.”
Também nessa época ele começou a dar seus primeiros
concertos em Nova Iorque. Já com uma base de fãs bem grande,
Luiz Paulo podia auto-produzir seus próprios shows com certeza de
casa lotada.
A partir de então sua carreira começou a tomar um ótimo
rumo. Gravou um CD (“Recipe for Rhythm”) de músicas
suas em estilo bossa-pop-jazz-mpb com lêtras em inglês de
Ellen Schwartz, em que ele canta e toca piano e teclados acompanhado
por um grande grupo de excelentes músicos. Uma das músicas
deste CD (“Maybe”)
foi gravada também por Ana Caram, e lançada nos Estados Unidos,
Europa e Japão. Foi diretor musical da Elza Soares quando ela morou
em Nova Iorque. Deu vários cursos de música brasileira
no centro de graduados da Universidade da Cidade de Nova Iorque (CUNY).
Gravou mais dois CDs, e hoje em dia dá concertos e faz shows
tanto de piano
solo como com seu grupo em teatros e salas muito conceituadas, como
o Weill
Recital Hall do Carnegie Hall (onde fez um show com lotação
esgotada), o consulado da Polônia, o teatro Elebash da Universidade
da Cidade de Nova Iorque, e muitos outros. Faz shows em
clubes de jazz como o famoso Birdland em
Nova Iorque, assim como em clubes de “world
music”. Apresenta-se também em vários
festivais de jazz nos Estados Unidos e em outros paises, como o Oslo
Jazz Festival na Noruega. Em 2004 ele voltou a se apresentar
no Brasil com dois shows no Mistura Fina no Rio, e uma apresentação
no Programa do Jô em São Paulo. Desde então ele tem vindo ao Brasil
regularmente para dar shows no Rio, São Paulo, Brasilia e várias
outras cidades.
Em 2006 Luiz Paulo foi co-produtor, arrajador e pianista no CD novo da cantora Elin Melgarejo, para Blue Toucan Records.
No segundo semestre de 2007 ele vai lançou seu novo
CD "Cafuné"
no Brasil, e em fevereiro de 2008 lançou "Cafuné" nos
Estados Unidos.
Luiz Paulo e sua mulher Maria (americana de ascendência italiana)
dividem seu tempo atualmente entre Rio e Nova Iorque.
“NEW CHORINHOS FROM BRAZIL” - Este CD com
10 chorinhos originais foi muito elogiado em críticas no Keyboard
Magazine e em vários websites especializados na internet. Alguns
dos chorinhos do Luiz Paulo Simas são mais tradicionais, e outros
são
bastante ousados e modernos.
“RECIPE FOR RHYTHM” - Neste CD Luiz Paulo Simas gravou suas
composições
originais feitas em parceria com a letrista americana Ellen Schwartz.
Luiz Paulo canta e toca piano e teclados, junto com um grande grupo de
músicos
excepcionais como Romero Lubambo, Sérgio Brandão, Ricky
Sebastian e muitos outros. O estilo é uma deliciosa mistura de ótimas
letras em inglês e português com belas melodias e harmonias,
e ritmos brasileiros com um sabor jazzista.
“IMPROMPTU” - Um CD de improvisações em piano.
“LUIZ SIMAS LIVE IN NEW YORK CITY” - Gravado ao vivo com seu
quarteto (Luiz Paulo Simas - piano, Steve Kowarsky - fagote, Barbara Blonska
- flauta, Jorge Amorim - percussão) no concerto de abril de 2003
no consulado da Polônia em Nova Iorque. O material inclui obras
de Nazareth, Jobim, Villa-Lobos, Simas, Jacob do Bandolim, Zequinha Abreu,
e também
um arranjo de “Tea for Two” (Vincent Youmans) em estilo brasileiro.
"CAFUNÉ" - Este é o mais novo CD do Luiz
Paulo Simas, com 13 músicas originais com lêtras em português. Luiz Paulo
compôs todas as músicas, escreveu todas as lêtras e fez todos os arranjos.
Com Luiz Paulo nos vocais principais e tocando piano e teclados, e muitos
grandes músicos brasileiros e americanos (clique aqui para
ver a lista completa de músicos). Gravado na maior parte nos Estados Unidos
(partes das gravações foram feitas também no Brasil). Lançado
no Brasil e nos Estados Unidos. Inclui um livreto com todas as lêtras (a
versão americana inclui também as traduções das lêtras)
CríticasCD “New Chorinhos from Brazil”
CD “Recipe for Rhythm”
CD “Cafuné”
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